A Embrapa Café, coordenadora do Consórcio Pesquisa Café, atua em toda a cadeia produtiva do café brasileiro, coordenando e gerenciando o desenvolvimento do conhecimento científico e tecnológico que promova a sustentabilidade econômica, ambiental, social e tecnológica do agronegócio café. Sempre em parceria com diversas organizações de ensino, pesquisa e extensão, visando garantir avanços em novas fronteiras do conhecimento e oferecer produtos e serviços de qualidade, preservando e valorizando a biodiversidade e os recursos naturais. 

O processo de planejamento de nossas ações e direcionamentos de PD&I, com o objetivo de definir os rumos e estratégias para o período 2021-2030 de atuação da Embrapa Café, foi iniciado com a identificação das características e tendências do ambiente em que atuamos e em alinhamento com as reais necessidades do agronegócio café brasileiro. Para tanto, foram realizadas consultas com os empregados da Unidade e com representantes dos setores do agronegócio café. A consulta aos empregados da Unidade foi realizada por meio de um questionário, de modo a elencar as forças, fraquezas, oportunidades e ameaças da Embrapa Café. A análise da matriz SWOT em relação ao ambiente interno permitiu concluir que a Unidade possui competências internas para o desenvolvimento de pesquisas, além de habilidades e condições para a gestão do Consórcio Pesquisa Café, de modo a buscar soluções para as demandas levantadas pelo setor produtivo. 

A consulta ao ambiente externo foi destinada às entidades representativas do setor produtivo no Conselho Deliberativo da Política do Café – CDPC, a saber: Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil – CNA; Conselho Nacional do Café – CNC; Associação Brasileira da Indústria de Café – ABIC; Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel – ABICS; e Conselho dos Exportadores de Café do Brasil – CECAFÉ. E, complementarmente, referida consulta foi enviada para o moderador da Rede Social do Café, para o responsável do Observatório do Café e para quatro instituições estaduais de pesquisa do Consórcio Pesquisa Café: Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais – EPAMIG; Instituto Agronômico de Campinas – IAC; Instituto Agronômico do Paraná – IAPAR; Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural – INCAPER. A consulta “Análise futura para o agronegócio café brasileiro – Tendências e Demandas” foi estruturada em cinco cenários: 1- Atendimento da demanda; 2- Expansão da comercialização; 3- Avanço científico; 4- Pequeno produtor; e 5- Sustentabilidade. 

As avaliações em relação ao ambiente interno identificaram como pontos fortes uma equipe técnica de pesquisa qualificada, o que permite o desenvolvimento de projetos, juntamente com as instituições parceiras; a coordenação do Consórcio Pesquisa Café, o que traz certa estabilidade para a Unidade ao reduzir custos organizacionais; as parcerias institucionais; o alinhamento do programa de pesquisa do Consórcio às diretrizes do Sistema Embrapa de Gestão (SEG); o uso de recursos do Funcafé para a execução de sua carteira de projetos; sistema Concafé, que proporcionará melhorias na gestão da carteira de projetos; o Observatório Café, que deve ser mantido e aperfeiçoado, melhorando e ampliando a disseminação de informações técnico-científicas. Os pontos fracos identificados foram a pequena interação entre os pesquisadores da Unidade, e o insuficiente número de reuniões com todos os pesquisadores da Unidade, acarretando poucas discussões técnico-científicas; a grande concentração de pesquisas na área de melhoramento genético, com necessidade de ampliar a área de atuação da pesquisa da UD, entre outros. Esses pontos fracos devem ser observados continuamente, minimizados ou eliminados, visando melhorar o desempenho da Unidade. As avaliações sobre influências dos temas apresentados em relação ao ambiente externo indicam que as variáveis analisadas terão um importante impacto sobre as futuras ações da Embrapa Café.

Ressalta-se que atenção especial deverá ser dada às variáveis consideradas de extrema importância para as atividades de pesquisa relacionadas às tecnologias e processos que promovam a elevação da produtividade com garantia de longevidade das áreas plantadas, com foco orientado para o desenvolvimento de processos produtivos de baixo impacto ambiental, além de ações que contribuam ou viabilizem a certificação e a rastreabilidade do café, com utilização de melhores práticas produtivas. 

Outro aspecto abordado na priorização de atividades de pesquisas, principalmente pelo setor produtivo, diz respeito à necessidade de desenvolvimento de estratégias e tecnologias que insiram o agronegócio café no contexto da Agricultura 4.0 (Agro 4.0), visando colocar toda a cadeia do café dentro do moderno conceito da agricultura digital, com intenso uso de ferramentas digitais para gestão e operacionalização do negócio café. Por fim, outro tema recorrente se refere à importância de ações e estratégias que concretizem a transferência de conhecimento e tecnologias para o sistema produtivo, de forma a estimular a adoção de soluções tecnológicas já testadas e disponibilizadas em diferentes áreas da ciência (técnicas de gestão, alternativas fitossanitárias, novas embalagens, aproveitamento de resíduos, etc.).