Perguntas e respostas - Embrapa Florestas
Organização: Joel Penteado
Edição: Katia Pichelli
1. Qual a origem da árvore chamada pínus?
O pínus é uma espécie originária do hemisfério norte. No Brasil, diversas espécies foram introduzidas há mais de cem anos, trazidas pelos imigrantes europeus. Atualmente, as espécies mais plantadas para fins produtivos são oriundas do Leste e Sudeste dos Estados Unidos.
2. Existem muitas espécies de pínus?
O gênero Pinus apresenta mais de 100 espécies. No Brasil, foi utilizado inicialmente para fins ornamentais. Somente a partir da década de 1960 é que se iniciou o plantio de pínus em escala comercial, principalmente nas regiões Sul e Sudeste do país.
3. Quais os motivos do sucesso do plantio de pínus?
As espécies de pínus são plantadas em vários países e valorizadas pelas seguintes características:
- madeira de cor clara, variando de branca a amarelada, bem aceita pelo mercado;
- madeira de fibra longa, apropriada para fabricação de papel de alta resistência para embalagens, papel de imprensa e outros tipos;
- possibilidade de extração de resina, em escala comercial, de algumas espécies;
- rusticidade e tolerância, possibilitando o plantio em uma ampla variedade de solos e, assim, agregar valor à terra com a produção de madeira e formação de cobertura protetora do solo;
- crescimento rápido e de fácil manejo em plantios organizados;
- valor ornamental para arborizações e paisagismo.
4. Qual a utilização da madeira de pínus?
A sua madeira é usada, principalmente, pelas indústrias de madeira serrada e laminada, chapas, resina, celulose e papel. Nas décadas de 1970 e 1980, as plantações florestais deste gênero foram as principais fontes de matéria-prima para desenvolvimento da indústria florestal, abastecendo um mercado altamente diversificado.
Atualmente, a madeira de pínus representa 30% das plantações florestais destinadas à produção de papel e celulose, contribuindo com fibras longas imprescindíveis na fabricação de papéis que exigem maior resistência e melhor absorção de tinta.
5. Qual foi o fator determinante para a implantação dos povoamentos produtivos de pínus no Brasil?
Os plantios com pínus no Brasil fizeram parte de uma estratégia de desenvolvimento na década de 1960 implementada por meio de incentivos fiscais para plantios florestais visando garantir os suprimentos de matéria prima para a indústria madeireira.
Esta ação política é considerada um marco na silvicultura brasileira, perdurando até 1986, e sustenta até os dias de hoje a cadeia produtiva da madeira, a qual tem participação fundamental na economia do país. Estima-se que, atualmente, três mil empresas no Brasil, localizadas principalmente nas regiões Sul e Sudeste, utilizam pínus em seus processos produtivo.
6. Porque as florestas de pínus são importantes para o setor madeireiro?
O potencial silvicultural das espécies de Pínus no Brasil é um fator fundamental para a sustentação do parque industrial madeireiro.
A floresta de Pínus é diferenciada pelo seu “multiuso”: sua madeira pode ser destinada à indústria laminadora, que a utiliza para fabricação de compensados; para a indústria de serrados, que a transforma em madeira beneficiada ou é convertida em móveis; para a indústria de papel e celulose; para a indústria de MDF, OSB e, mesmo o seu resíduo tem sido aproveitado como biomassa para geração de vapor e energia. A maior demanda é da indústria de madeira serrada, seguida pela produção de celulose de fibra longa, imprescindíveis na fabricação de papéis, que exigem maior resistência e melhor absorção de tinta, e compensados.
7. Qual a área de plantios de pínus no Brasil?
Em 2014, os plantios de Pínus abrangiam uma área estimada em 1,59 milhão de ha, concentrados, principalmente, nos estados do Paraná (42,4%), Santa Catarina.
8. Existem materiais de pínus com algum grau de melhoramento genético?
As instituições de pesquisa florestal trabalham com melhoramento de genético de pínus há mais de 40 anos. O segmento industrial de papel e celulose passou a utilizar, de forma mais intensiva, sementes provenientes de povoamentos melhorados, obtendo, assim, ganhos de produtividade. Atualmente, a produtividade dos povoamentos melhorados de pínus e submetidos a práticas corretas de manejo chegam a 40 m³/ha.ano.
9. Qual é a forma de se cultivar pínus?
São muitas as formas de cultivar o pínus, variando conforme o local e o destino da produção. No sistema de produção predominante, são plantadas, inicialmente, 1.666 árvores/ha. Nas idades de 8 e 12 anos são efetuados, respectivamente, o primeiro e segundo desbastes. Isto significa uma redução no número de plantas, em média, de 40% no primeiro e 30% do remanescente no segundo desbaste. O corte final é feito aproximadamente aos 21 anos, quando restam, em média, 500 árvores/ha.
Em todo o ciclo produtivo, é possível obter uma produção média de até 95 m3 aos 8 anos, 70 a 120 m3 aos 12 anos e, aos 21 anos, a produção deve ultrapassar 450 m3/ha. Isto significa, em média, uma produção maior que 30 m3/ha.ano.
10. Qual importância ambiental dos plantios de pínus?
As florestas geram diversos produtos e serviços para a humanidade e, por este motivo, são pressionadas pelo crescimento da população mundial que, anualmente, consome cerca de 1,6 bilhão de metros cúbicos de madeira e que pode chegar a três bilhões de metros cúbicos em 2050.
No Brasil, os plantios de pínus vêm possibilitando o abastecimento de madeira que anteriormente era suprido com a exploração do pinheiro brasileiro (também conhecido como araucária) e de outras espécies florestais nativas. Deste modo, a implantação de povoamentos produtivos de pínus tornou-se importante aliado dos ecossistemas florestais nativos, suprindo a necessidade de matéria-prima para o setor de base florestal, diminuindo, com isso, a pressão sobre a necessidade de exploração das florestas nativas para a obtenção de madeira.
11.Quais são os benefícios dos plantios florestais?
Beneficios diretos:
- madeira
- produtos não-madeireiros
- recreação e turismo
- medicina
- educação
- habitat
Beneficios indiretos:
- proteção da bacia hidrográfica (os impactos da alteração da cobertura florestal em locais próximos a rios incluem a diminuição da erosão do solo, alteração nos fluxos de água, agricultura, pesca, armazenamento de água para consumo, geração de eletricidade)
- reciclagem de nutrientes
- redução da poluição do ar
- funções climáticas
- fixação de carbono
- biodiversidade
12. Como é composta a cadeia produtiva da madeira de pínus?
13. Quais são espécies de pínus mais plantadas no Brasil?
As espécies que melhor se adaptaram em solo brasileiro foram Pinus elliottii e Pinus taeda, introduzidas por meio de sementes importadas do seu habitat natural, os Estados Unidos. Em menor escala, foram plantados no Brasil o Pinus caribaea e o Pinus oocarpa, oriundos do Caribe. Também foram realizadas diversas experimentações com outras espécies tropicais como P. caribaea, P.oocarpa, P. tecunumanii, P. maximinoi e P. patula, possibilitando, assim, o plantio destas espécies em todo o Brasil, conforme a adequação para cada região ecológica.
14. Quais as características do Pinus elliottii?
O Pinus elliottii é uma espécie nativa da região Sul dos Estados Unidos, onde é amplamente utilizado para produção de madeira para processamento mecânico, produção de celulose, papel e extração de resina.
No Brasil, o Pinus elliottii é plantado nas Regiões Sul e Sudeste, apresentando início de produção de madeira adulta a partir dos sete anos de idade onde é utilizado para a produção de madeira para processamento mecânico e para extração de resina. Para este fim, cada árvore produz de 2,0 a 10,0 kg de resina por ano.
15. Quais são as regiões onde se pode plantar P. elliottii para a produção de resina?
Na área de ocorrência natural da espécie, o clima é quente e úmido, com precipitações maiores no verão e primavera e outono mais seco. Precipitação média anual é de 1.270 mm, temperatura média anual de 17 °C com extremos de até 41 °C. A espécie apresenta tolerância mediana ao déficit hídrico.
Na região Sul do Brasil, a espécie se desenvolve em amplas condições climáticas com poucas restrições, sendo pouco afetada por geadas. De maneira geral, P. elliotti é menos tolerante a geadas e mais tolerante a solos com baixa drenagem do que P. taeda. No entanto, não apresenta desenvolvimento comercialmente atrativo em várias partes dessa região.
A atividade de extração de resina deverá ser restrita às regiões com temperatura mais alta para se obter maior rendimento, como por exemplo, nas planícies costeiras e nas áreas de transição para a Região Tropical (Região de Cerrado nos estados de São Paulo e Minas Gerais).
16. Qual a origem do Pinus taeda?
O Pínus taeda ocorre naturamente em toda a região no Sul e Sudeste dos Estados Unidos, desde o estado de Delaware até o leste do Texas e, ao Sul, até o centro da Flórida. Essa área abrange diversos ecossistemas com características diferentes como a planície costeira Atlântica e os Montes Apalaches.
17. Quais as principais utilizações da madeira de Pinus taeda?
No Brasil, P. taeda é a espécie mais plantada entre os pínus, abrangendo aproximadamente um milhão de hectares, no planalto da Região Sul do Brasil, onde é utilizado para produção de celulose, papel, madeira serrada, chapas e madeira reconstituída.
18. Quais as regiões do Brasil onde pode ser plantado o Pinus taeda?
As condições de clima e solo da região sul do Brasil, assim como as províncias de Missiones e Corrientes na Argentina, têm se caracterizado como as áreas de maior potencial de crescimento do P. taeda no mundo.
As áreas recomendadas para plantio de P. taeda na região Sul do Brasil estão localizadas nas partes de maior altitude, regiões mais frias, que correspondem a uma parte do Terceiro Planalto e áreas de altitude do Primeiro Planalto paranaense. Também, do ponto de vista climático, a espécie encontra áreas preferenciais nas Serra Gaúcha e Planalto Catarinense nas áreas com solos mais profundos. Nesta região, não havendo restrições de solos e com uso de sementes e práticas silviculturais adequadas, a espécie pode apresentar altas produtividades.
19. Quais são as características do Pínus caribaea?
Existem três variedades de Pinus caribaea que podem ser utilizadas para processamento mecânico: a variedade bahamensis, a caribaea e a hondurensis. A hondurensis está entre os pínus tropicais mais plantados no mundo e é recomendada em toda a região tropical brasileira devido às suas características morfológicas e silviculturais. O plantio comercial com esta variedade tem se expandido e abrange, atualmente, aproximadamente 700.000 ha e é recomendado para as regiões Sudeste e Centro-Oeste e algumas áreas das regiões Norte e Nordeste, exceto no Semiárido. Sua madeira é de densidade moderada a baixa, mas de grande utilidade geral. Além disso, a variedade hondurensis produz resina em quantidade viável para exploração comercial. No entanto, em condições favoráveis ao rápido crescimento, as variedades hondurensis e bahamensis apresentam alta frequência de árvores com forma anormal, apresentando ramificações finas, regulares e perpendiculares ao eixo do fuste denominado "fox-tail". A variedade caribaea se caracteriza por frequência baixa ou nula de "fox-tail".
20. Quais as características do Pinus patula?
O Pinus patula é uma espécie facilmente identificada pelas acículas verde-pálidas, finas e pendentes, casca grossa, acinzentada e fissurada na base e casca fina marron-avermelhada na parte superior. Sua madeira tem grande utilidade para processamento mecânico e na fabricação de papel e celulose. Na Serra da Mantiqueira, no Sudeste de Minas Gerais, e Nordeste do estado de São Paulo, esta espécie apresenta produtividade de madeira mais alta do que P. taeda. Apesar de ocorrer, naturalmente, em região sujeita a baixas temperaturas, uma das limitações para o seu plantio, no Brasil, são as geadas severas, principalmente na fase inicial de implantação.
21. Qual a forma de se identificar as diferentes espécies de pinus?
É necessário ter alguma experiência e olho bastante treinado para identificação das espécies de pínus. Deve-se observar algumas características básicas, tais como: o número, a disposição, a forma e a coloração das acículas, a forma e a cor das sementes, o formato e o tipo de abertura dos cones, as características das resinas (quantidade exsudada, coloração, cristalização) entre outras.
22. Para a compra ou produção de mudas de pínus, qual o fator mais importante que deve ser observado?
Entre outros, a qualidade da semente é um dos principais requisitos para se conseguir um povoamento com bom desenvolvimento e com boa produção de madeira. Assim, para o estabelecimento de povoamentos florestais, é importante que o produtor esteja atento à qualidade das sementes. Assim, deve-se escolher material de boa procedência, exigindo-se, dos fornecedores, o atestado de fitossanidade, as informações sobre a categoria de melhoramento e os dados analíticos do grau de pureza e de germinação.
23. Quais são os graus de melhoramento das sementes disponíveis no mercado?
Existem diversos fornecedores de sementes florestais de boa qualidade, variando, entre eles, a tecnologia de produção e o grau de melhoramento genético das árvores produtoras que são designados pela categoria dos povoamentos produtores.
Os mais comuns são:
ACS (Área de Coleta de Sementes): é um povoamento comercial de boa qualidade, onde algumas das melhores árvores são selecionadas para a coleta de sementes. Essas árvores são selecionadas com base no seu porte ou forma, e são polinizadas por qualquer árvore em sua volta. O valor genético das suas sementes é limitado. A vantagem desta categoria de semente é o baixo custo e a segurança de maior adaptabilidade ao local de produção.
- APS (Área de Produção de Sementes): é um povoamento isolado de outros da mesma ou de espécies afins, de excelente desempenho quanto à produtividade e à qualidade das árvores, que é submetido a desbastes seletivos, em várias etapas, deixando-se somente as melhores. As sementes produzidas na APS são de qualidade genética melhor do que da ACS porque são produzidas por árvores selecionadas, polinizadas por outras, também selecionadas na mesma intensidade. Mesmo assim, o grau de melhoramento obtido ainda é modesto. A grande vantagem da APS é a combinação do melhoramento genético na produtividade e qualidade.
- PS (Pomar de Sementes): é o povoamento constituído de árvores matrizes com alto grau de seleção genética, manejado e destinado a produzir sementes melhoradas. As árvores matrizes componentes do pomar são selecionadas para algumas características específicas como adaptabilidade a alguma região específica, rápido crescimento, densidade da madeira, tolerância a fatores adversos do ambiente etc. Com esse tipo de semente, aumenta-se a eficiência do viveiro, bem como a produtividade do plantio florestal formado com essas mudas.
Atualmente, existem metodologias que permitem desenvolver novas "variedades" de pínus que possibilitam a produção de material genético de maior qualidade. Essas ferramentas metodológicas englobam a seleção precoce, hibridações inter e intraespecíficas, clonagem, embriogênese somática, etc.
24. Quais os cuidados necessários para a produção de mudas de pínus?
A produção de mudas é uma das etapas fundamentais no processo de implantação de um plantio florestal e poderá ser determinante para o sucesso do empreendimento florestal. Para a produção com Pínus, destacam-se os seguintes aspectos:
- Sementes: devem ser de boa procedência, exigindo-se, dos fornecedores, o atestado de fitossanidade, informações sobre a categoria de melhoramento e os dados analíticos do grau de pureza e da germinação.
- Substratos: deve-se levar em conta fatores como custo, disponibilidade, qualidade, nível de fertilidade, granulometria e densidade.
- Desinfestação dos tubetes e substrato para eliminar fungos patogênicos e sementes de plantas invasoras: a presença desses agentes pode resultar em grandes prejuízos no viveiro.
- Inoculação com micorriza: que é a associação entre fungos de ação benigna e as raízes da planta, o que proporciona um aumento na capacidade de absorção de água e nutrientes pelas raízes, aumentando a sua superfície de contato com as partículas do solo. Em viveiros localizados próximos aos plantios de pínus, não é necessário fazer a inoculação de micorriza, uma vez que os esporos dos fungos benignos são disseminados pelo ar.
- Irrigação: a quantidade de água deve ser ajustada para cada região, tipo de substrato utilizado e período do ano. O excesso ou a falta de água na fase de germinação é prejudicial, podendo levar as mudas à morte.
- Sombreamento: o período de sombreamento varia com o período do ano. No verão, são necessários de 10 a 15 dias sob sombra para germinarem; no inverno, esse período pode durar de 20 a 25 dias. Essa proteção deve permitir a circulação de ar e a passagem de aproximadamente 50% de luz.
- Rustificação: a rustificação das mudas é feita com o objetivo de prepará-las, fisiologicamente, para suportar o choque do plantio e as adversidades ambientais das primeiras semanas que o sucedem.
25. Quais os tipos de embalagem utilizados na produção das mudas de pínus?
a) Sacos plásticos – ainda em uso em pequenos viveiros ou pequenos produtores. Este tipo de embalagem apresenta algumas vantagens como o de não requerer estrutura de sustentação das bandejas ou sistemas de irrigação complicados, além de possibilitar a produção de mudas maiores. Porém, apresentam importantes desvantagens como:
- grande quantidade de substrato requerido;
- elevado peso quando com substrato;
- possibilidade de enovelamento das raízes;
- grande área requerida no viveiro;
- necessidade de mão de obra mais intensa em relação a outros tipos de recipientes;
- dificuldades de transporte;
- grande quantidade de resíduos gerados na ocasião do plantio, devido ao seu descarte.
b) Tubetes plásticos – tipo de recipiente de maior aceitação no mercado. Sua vantagem é a possibilidade de uso racional da área do viveiro, permitindo o acondicionamento de grande quantidade de mudas, a automatização do sistema de produção e facilidade de manuseio e expedição das bandejas, além do fato que os tubetes podem ser reutilizados e durar por vários anos em uso.
26. Como é feita a seleção das mudas que vão para o campo?
Após o final da fase de produção e de rustificação, as mudas devem estar vigorosas, com a copa bem formada e o sistema radicular vigoroso. As que estiverem fora do padrão estabelecido deverão ser retornadas à fase de rustificação ou, eventualmente, de crescimento. Como padrão de muda adequada ao plantio, recomenda-se adotar os seguintes níveis críticos:
- altura da parte aérea: 15 a 30 cm;
- diâmetro do colo: 3 a 4 mm;
- sistema radicular sadio, ocupando toda a área interna do recipiente, com presença abundante de micorrizas e coloração branca.
27. O que é propagação vegetativa de mudas pínus?
A propagação vegetativa refere-se a qualquer método utilizado para replicar (clonar) plantas individuais sem que ocorra a fusão de gametas, como ocorre na propagação sexuada, ou propagação por sementes.
A clonagem permite que características de interesse, como por exemplo, crescimento, densidade de madeira, forma de fuste e diâmetro de galhos, sejam retidas no melhor indivíduo selecionado, como resultado final de um processo de melhoramento florestal.
28. O que é Micropropagação de pínus através de embriogênese somática?
É uma tecnologia recentemente desenvolvida para a clonagem de espécies florestais utilizando a cultura de tecidos. A aplicação mais importante é como ferramenta em programas de melhoramento florestal. As plantas selecionadas em tais programas podem ser propagadas por esta técnica para serem utilizadas em plantios florestais de alto valor comercial.
29. Como é realizado o plantio de pínus?
Quanto à operação de plantio, ela é composta por várias ações e constitui-se numa das etapas mais importantes para o sucesso do estabelecimento de florestas plantadas. O sistema de plantio mais adequado é definido com base no objetivo do empreendimento e nos usos a que se destinarão os produtos da floresta. O sucesso desse empreendimento depende de decisões e ações cuidadosas nas diversas etapas de sua implementação, como a escolha e a limpeza da área, o espaçamento, o controle de pragas e doenças, o cuidado com as mudas durante o plantio e os tratos culturais.
30. Quais são os métodos de plantio de povoamentos de pínus?
O plantio de pínus pode ser manual, mecanizado ou semi-mecanizado. O método mais apropriado depende da topografia da área, bem como da disponibilidade de recursos financeiros, mão de obra e de equipamentos adequados. Os métodos mecanizado e o semi-mecanizado podem ser aplicados em locais com topografia plana, onde se possa usar plantadoras tracionadas por tratores. As plantadoras, normalmente, fazem o sulcamento, a distribuição do adubo e efetivam o plantio. No sistema semi-mecanizado, somente as operações de preparo de solo e os tratos culturais são mecanizados e o plantio em si é manual. O plantio manual é recomendado em áreas declivosas ou em situações onde, mesmo em áreas planas, não é viável o uso de máquinas agrícolas devido à presença de obstáculos como rochas, tocos ou outras culturas.
31. Quais as atividades componentes da operação de plantio?
O estabelecimento de um plantio florestal inicia-se com as definições como o espaçamento a ser adotado, os tipos e as frequências das operações de manejo, os tratos culturais e a adubação a ser aplicada. Com base nessas decisões, efetuam-se as seguintes ações:
- Planejamento - no planejamento, definem-se as vias de acesso, aceiros (proteção física contra incêndios) e o dimensionamento e o posicionamento dos talhões. Essas ações facilitarão as operações de plantio, os tratos culturais e as operações de proteção, principalmente controle de fogo, e de retirada da madeira.
- Limpeza - as operações que compõem a fase de limpeza da área para plantio são a derrubada, remoção e o enleiramento da vegetação e dos resíduos da exploração.
- Preparo de solo - o principal objetivo do preparo do solo é proporcionar condições adequadas ao estabelecimento das mudas no campo. As atividades necessárias nesse processo incluem o controle de plantas daninhas, o melhoramento das condições físicas do solo (descompactação do solo) e o manejo de resíduos (folhas e galhos) para que não prejudiquem a mecanização.
- Plantio - a operação de plantio deve ser realizada observando-se alguns aspectos importantes, com destaque para o espaçamento entre plantas, as operações de manejo previstas, os tratos culturais e a adubação das mudas.
32. Quais são as atividades de manejo da fase inicial de implantação de povoamento de pinus?
Operações do manejo - a produtividade da floresta plantada depende de fatores como a qualidade genética da semente utilizada, da capacidade produtiva do sítio e do manejo praticado. Entre as práticas de manejo, as de maior impacto na produtividade da floresta plantada são:
- Combate à formiga: faz-se no pré-plantio de 15 a 30 dias antes; no pós-plantio aos 30 dias, 60 dias, 90 dias e 180 dias.
- Controle de plantas daninhas: são utilizados dois modelos de controle, onde se prioriza o uso de roçadeira costal para a aplicação de herbicidas. As intervenções são realizadas a cada seis meses até o segundo ano de plantio. Após este período, o controle é feito anualmente até o quinto ano.
33. Qual a importância do espaçamento nos plantios de pínus?
O espaçamento influencia na taxa de crescimento, na qualidade da madeira produzida, na idade de corte, nas idades e intensidades de desbaste requeridas e nas práticas de manejo. O espaçamento afeta o crescimento diamétrico do tronco das árvores. Se a densidade de plantio for demasiadamente elevada, acarretará no decréscimo do volume e na qualidade da madeira produzida na área, pois haverá muita competição entre as árvores. Se a densidade for demasiadamente baixa, as árvores não aproveitarão todos os recursos disponíveis e haverá menor produção por área. Portanto, o planejamento da densidade de plantio deve ter como base a obtenção do máximo de retorno por área. Normalmente, usam-se espaçamentos variando entre 3,0 m x 2,0 m, que possibilitam tratos culturais mecanizados e, 2,5 m x 2,0 m para plantios manuais, nos locais mais declivosos.
34. Plantios de pínus necessitam de adubação?
As condições de solo onde normalmente é plantado o pínus, geralmente, são de baixa fertilidade natural, o que, de certa forma, afeta a produtividade. Para se evitar isso, são necessárias correções com aplicação de fertilizantes. Avaliações nutricionais nesses plantios são importantes para se fazer recomendações de fertilizantes. Portanto, a análise de solo é fundamental. O conhecimento das deficiências possibilita indicar os nutrientes que devem ser aplicados e, com isto, propicia melhor aproveitamento dos nutrientes pelas árvores. Os nutrientes mais utilizados nas adubações minerais para espécies florestais são o N, P, K e, com menor frequência, B e Zn. A formulação do fertilizante varia de uma região para outra e com a cultura em que será aplicada. De maneira geral, o fósforo é aplicado em maior quantidade do que os demais elementos, por estar presente em menor concentração no solo.
35. Quais são as formas de se aplicar o adubo?
- No fundo do sulco: distribuído no sulco de plantio aberto pelo sulcador, ou outro implemento.
- Na cova de plantio: colocado no fundo da cova, antes do plantio, bem misturado com a terra para evitar danos à raiz das mudas.
- Em cobertura: aproximadamente três meses após o plantio. Normalmente, colocado ao lado da planta, em faixas ou em coroa. Esta forma é utilizada para aplicar o N e o K, elementos que se perdem facilmente por volatilização e lixiviação.
36. Qual é a principal atividade de manejo da plantação de pínus?
Em um povoamento de pínus, à medida que as árvores crescem, aumenta a restrição no espaço entre árvores, provocando, com isso, o declínio no vigor das árvores. Muitas delas tendem a morrer e o plantio florestal se torna suscetível ao ataque de pragas como a vespa-da-madeira (Sirex noctilio) em P. taeda. Além disso, árvores com crescimento estagnado tendem a prejudicar o crescimento das outras em sua vizinhança devido à competição. A principal maneira de solucionar este problema é mediante desbastes.
37. O que são desbastes?
O desbaste é o corte de árvores. Esse procedimento possibilita reduzir o número de árvores por área à medida que o povoamento passe a requerer maior espaçamento entre elas. Uma das formas de desbaste envolve a manutenção das melhores árvores, eliminando-se as supressas, as bifurcadas, os doentes e as quebradas, melhorando, assim, o produto final e a rentabilidade econômica do povoamento. Outra vantagem do manejo é a possibilidade de se antecipar a renda para o produtor.
38. Quais são os tipos de desbaste?
- Sistemáticos: quando se removem as árvores a partir de um esquema fixo de escolha. Por exemplo, a remoção de uma fileira inteira de árvores, intercalada com duas fileiras que permanecem intactas;
- Seletivos: remove-se uma porcentagem pré determinada das menores e piores árvores do povoamento.
- Mistos: desbaste em que se processa primeiro o desbaste sistemático e, em seguida, nas linhas remanescentes, o seletivo.
39. Quais os principais fatores que devem ser observados na realização dos desbastes?
No processo de desbaste, deve-se promover um bom aproveitamento dos espaços disponíveis no povoamento, evitando-se a formação de clareiras. Na decisão quanto à idade, ao tipo e à intensidade do desbaste a ser aplicado, deve-se levar em consideração diversos fatores, especialmente os objetivos da produção e a maximização da rentabilidade econômica. Cada povoamento pode necessitar de uma forma específica de manejo, incluindo desbastes e variações na idade do corte final. O manejo mais adequado varia em função de fatores como: a) qualidade do local (solo, clima); b) material genético plantado; c) espaçamento inicial do plantio; d) densidade atual; e e) objetivo da produção.
40. Quais são as principais doenças que prejudicam o desenvolvimento das plantas de pínus?
As principais doenças em pínus são:
- Tombamento de mudas: é uma lesão necrótica na região do colo da plântula causado pelo ataque dos fungos dos gêneros Fusarium e Rhizoctonia nas fases de germinação, emergência e pós-emergência, destruindo as plântulas. As condições de alta umidade no viveiro favorecem ao ataque e disseminação dos patógenos.
- Podridão-de-raiz: é caracterizada pela murcha do ponteiro da muda e sua posterior morte. As lesões se localizam nas raízes laterais, principalmente na forma de necroses. Essa doença é causada por fungos dos gêneros Cylindrocladium e Fusarium.
- Queima de ponteiros de mudas: provoca a curvatura e seca do ponteiro. Sobre as partes lesionadas ocorre a formação de um mofo acinzentado. Essa doença surge logo após a ocorrência de queima pela geada em brotos jovens de mudas em viveiro. Em seguida, ocorre a colonização dos tecidos injuriados pelos fungos Botrytis cinerea, Cladosporium sp. e Alternaria sp.
- Podridão de estacas: ocorre em estacas de Pinus, durante a produção de mudas por estaquia causada pelo fungo Rhizoctonia solani.
- Armilariose: caracterizada pelo ataque das raízes e do colo de árvores jovens provocando exsudação de resina e progredindo para a morte da planta. Essa doença é causada por uma espécie de Armillaria. O fungo é habitante do solo e pode sobreviver decompondo matéria orgânica na forma de raízes e tocos de árvores.
41. Como é realizado o controle do tombamento, seca dos ponteiros e da podridão de raiz?
O controle é semelhante para os três casos:
1) usar sementes e água de irrigação livres de patógenos;
2) usar substratos comerciais com boa drenagem;
3) semear diretamente em tubetes suspensos;
4) evitar sombreamento excessivo das mudas;
5) ralear as plântulas o mais cedo possível;
6) selecionar as mudas para descarte das doentes e mortas;
7) retirar tubetes sem mudas, com mudas mortas e com plantas de folhas caídas e senescentes;
8) aplicar adubação equilibrada nas mudas;
9) irrigar de forma a evitar a falta ou excesso de umidade.
a) Químico - fumigar o substrato com produtos de amplo espectro e aplicar fungicidas;
b) Físico - desinfestar o substrato com calor (vapor, água quente ou solarização).
43. Como é realizado o controle da podridão das estacas?
Efetuar a limpeza e desinfestação das estacas e das estufas com jato de água e produtos à base de cloro.
44. Como é realizado o controle do controle da armilariose?
Fazer a destoca e limpeza de área em plantios novos. Queimar os tocos e raízes de árvores doentes e mortas pela doença. Evitar o plantio em áreas onde já se verificou a presença da doença.
45. Quais as principais pragas que atacam o pínus?
O pínus pode ser atacado por diversas pragas, destacando-se as seguintes: formigas cortadeiras, vespa-da-madeira e os pulgões-gigantes-do-pínus.
46. Como saber qual a espécie de formigas cortadeiras que está danificando as plantas de pínus?
As formigas podem ser saúvas (Atta spp.) ou quenquéns (Acromyrmex spp.). Elas atacam tanto as mudas quanto as árvores adultas. Os maiores prejuízos ocorrem nos dois primeiros anos após o plantio, podendo causar a mortalidade das plantas se o ataque ocorrer nos primeiros três meses. A identificação das formigas é feita pelas operárias:
- As operárias da saúva variam de tamanho (de 12 a 15 mm de comprimento) e apresentam três pares de espinhos dorsais. Seus ninhos podem atingir profundidades de mais de 5 m, sendo caracterizados, externamente, pelo monte de terra solta.
- As operárias da quenquém, com 8 a 10 mm de comprimento, apresentam cinco pares de espinhos no tórax. Seus ninhos, geralmente, não apresentam terra solta aparente.
Os sauveiros novos podem ser localizados pelos montículos formados de grânulos de terra solta e amontoados ao redor dos olheiros iniciais. Em colônias de quenquéns, os ninhos podem ser formados por um monte de terra solta, saliente sobre a panela de fungos sob os entulhos ou folhas, podendo ser escavados e destruídos.
O controle químico envolve o uso de formicida nas seguintes formulações:
a) isca granulada para aplicação direta no campo ou para utilização em porta-iscas. São recomendadas, preferencialmente, nas fases de crescimento e maturação do plantio florestal;
b) pó, aplicado com polvilhadeira, contra formigas que fazem ninhos pouco profundos;
c) solução concentrada (termonebulígenos), recomendada contra saúvas. É aplicada diretamente nos olheiros, por meio de um termonebulizador.
48. Quais os sintomas de ataque da vespa-da-madeira?
As árvores atacadas pela vespa-da-madeira apresentam os seguintes sintomas:
- respingos de resina, que surgem das perfurações feitas pelas fêmeas para depositar seus ovos; em alguns casos, observa-se o escorrimento de resina;
- amarelecimento da copa após o ataque, variando desde um tom amarelado, em um estágio inicial, passando pelo marron-avermelhado e seca, até a queda das acículas;
- orifícios de emergência, facilmente visíveis na casca, por onde os adultos emergem;
- manchas azuladas, em forma radial na madeira atacada, causadas por um fungo secundário do gênero Botryodiplodia;
- galerias no interior da madeira, construídas pelas larvas.
49. Como prevenir o ataque da vespa-da-madeira?
A prevenção de seus danos pode ser feita mediante vigilância e tratos silviculturais. Assim, é importante a observação das seguintes recomendações:
- desbastar os povoamentos de pínus nas épocas adequadas para evitar a ocorrência de plantas estressadas;
- intensificar o manejo em sítios de baixa qualidade, onde haja solos rasos e pedregosos;
- remover do povoamento as árvores mortas, dominadas, bifurcadas, doentes e danificadas, bem como restos de poda e desbaste com diâmetro superior a 5 cm;
- não efetuar poda e desbaste dois meses antes e durante o período de revoada dos insetos adultos (segunda quinzena de outubro à primeira quinzena de janeiro);
- evitar o plantio em áreas declivosas, onde seja difícil realizar os tratos silviculturais;
- aplicar medidas de prevenção e controle de incêndios florestais;
- treinar empregados rurais, de serrarias e de transporte de madeira na identificação da praga e de seus sintomas de ataque;
- manter e intensificar a vigilância de rotina.
50. Como é feito o monitoramento da vespa-da-madeira?
O monitoramento é realizado pela instalação de árvores-armadilha. Como o inseto é atraído para árvores estressadas, utiliza-se a aplicação de um herbicida para promover esse estressamento, tornando-as atrativas ao inseto. Isso facilita a detecção precoce da praga, auxiliando na tomada de medidas rápidas como a liberação de inimigos naturais. As árvores-armadilha devem ser instaladas em povoamentos com nível de ataque de até 1%. Em áreas com níveis maiores que este, deve-se interromper a instalação das árvores-armadilha e investir nas medidas de controle.
51. Qual a maneira mais eficaz de se controlar a vespa-da-madeira?
O principal meio para o combate à praga é o uso do controle biológico, pela utilização do nematoide Deladenus siricidicola (= Beddingia siricidicola) que age pela esterilização das fêmeas do inseto. A produção massal do nematoide é realizada pela Embrapa Florestas, que distribui, em parceria com o Funcema (Fundo Nacional de Controle de Pragas Florestais), as doses do nematoide aos produtores florestais que possuem plantios atacados pela praga. Para a inoculação do nematoide nas árvores atacadas, é preparado um inoculo de gelatina ou hidrogel onde são adicionadas as doses do nematoide. Este método tem quase 100% de eficiência de controle.
52. Existe outro inimigo natural da vespa-da-madeira que possa ser utilizado para o seu controle?
O parasitoide Ibalia leucospoides também é uma espécie de vespa. Suas fêmeas adultas têm tamanho variando de 7 a 14 mm. A Ibalia é um endoparasitoide (desenvolve-se dentro do hospedeiro) que coloca os ovos em larvas da vespa-da-madeira onde se desenvolvem e, quando saem da larva, a destroem. Este parasitoide foi introduzido no Brasil pela Embrapa Florestas e já foi registrado em todas as áreas de ocorrência de seu hospedeiro. Apresenta uma eficiência média de 25%.
53. Quais são os tipos de pulgões que atacam o pínus?
São duas espécies: Cinara pinivora e Cinara atlantica. Estes pulgões atacam as brotações, os ramos, o caule e as raízes do pínus. Apresentam alta fecundidade e alta velocidade de reprodução, com ciclo de 12 dias desde a fase de ninfa até adulto e cada fêmea vive cerca de 27 dias, podendo gerar, em média, 44 ninfas. Os pulgões ocorrem em maiores populações entre o outono e o inverno. Entretanto, C. atlantica é encontrada, também, na primavera e no verão.
54. Quais são os sintomas das árvores de pínus atacadas pelos pulgões?
As árvores atacadas pelos pulgões apresentam os seguintes sintomas:
- clorose;
- deformação e queda prematura das acículas;
- redução significativa do crescimento em diâmetro e altura da planta;
- entortamento do fuste;
- seca dos brotos e superbrotação devido à destruição do broto apical;
- presença de um fungo, denominado fumagina, de coloração escura, que recobre os ramos e a folhagem, interferindo no desenvolvimento da planta;
- seca progressiva dos ramos e, eventualmente, a morte das plantas infestadas;
- desaciculação e distúrbio no crescimento, assim como redução da resistência ao ataque de outros insetos ou patógenos.
55. Como é realizado o controle do ataque de pulgões em árvores de pínus?
A forma mais eficiente é por meio do parasitoide Xenostigmus bifasciatus, que foi coletado no Estados Unidos pela Embrapa Florestas, criado massalmente em laboratório e liberado em áreas atacadas pelos pulgões no Brasil. Atualmente, a ocorrência do parasitoide têm sido constatada em todas as áreas de ocorrência do pulgão, inclusive naquelas onde não houve liberação, tendo sido observado que X. bifasciatus foi capaz de alcançar, em um ano, uma distância de até 80 km do local de liberação. Assim, o controle desta praga está sendo possível pela implementação de um Programa de Manejo Integrado, com controle biológico, e tem tido sucesso tanto pela ação dos parasitoides, como pela atenção à qualidade, sanidade e nutrição das mudas, época e sistema de plantio e manutenção de sub-bosque, que são extremamente importantes, uma vez que atuarão na prevenção do ataque.
56. Existe algum software para simulação e planejamento do manejo para povoamentos de pínus?
Os softwares SisPínus e Planin, desenvolvidos pela Embrapa Florestas, foram desenvolvidos para auxiliar na tomada de decisões de manejo em povoamentos de pínus. São softwares amplamente difundidos entre os produtores de pínus do Brasil e de outros países. Com eles, os produtores podem, para cada condição de clima e solo, testar no computador as opções de manejo do plantio florestal, fazer prognoses de produções presente e futura, efetuar análises econômicas e, com base nisso, implementar a alternativa mais favorável ao seu caso.
O SisPínus possibilita simular os desbastes e testar as consequências de qualquer manejo que se deseja aplicar nos povoamentos. Ele fornece informações quanto à melhor alternativa sobre quando, quanto e como desbastar, além de sugerir a idade mais recomendada para a colheita final. Ele mostra, também, o crescimento e a produção da floresta, a produção por classes de diâmetro e o volume de madeira por tipo de utilização industrial (Ex: laminação, desdobro, produção de celulose e geração de energia).
O Planin é um software que possibilita o cálculo dos parâmetros de avaliação econômico-financeira e a análise de sensibilidade da rentabilidade a diferentes taxas de atratividade. Nele, consideram-se os diversos segmentos de custos operacionais de implantação, manutenção e colheita florestal. Com esse programa, obtêm-se estimativas de fluxo de caixa, análises de sensibilidade e os critérios de análise mais utilizados pelas empresas florestais do Brasil. Além disso, ele possibilita ao usuário acompanhar seus custos, emitindo relatórios dos gastos anuais.
57. Com que idade são realizados os desbastes em plantios de pínus?
Em um sistema de cultivo visando múltiplos usos para a madeira, o manejo é realizado por meio de um primeiro desbaste, retirando-se uma porcentagem de aproximadamente 40% das árvores aos 7 ou 8 anos após o plantio. Essa é a ocasião em que se obtêm receitas oriundas da comercialização de madeira fina, onde os rendimentos financeiros auxiliam na amortização das despesas de implantação e manutenção inicial dos povoamentos.
No segundo desbaste, aproximadamente aos 12 anos após o plantio, haverá nova entrada de renda. No entanto, além do sortimento de madeira fina, haverá matéria-prima para serraria. No corte final, aproximadamente entre 15 e 20 anos de idade, obtêm-se valores financeiros mais significativos, pois no sortimento estará inclusa madeira para laminação.
58. De que forma as toras de pínus são comercializadas pelo produtor?
O produtor deve observar se o mercado está diferenciando o valor pago por madeira limpa de nós. Se houver diferenciação e uma estimativa de que esta persista no médio prazo, deve-se avaliar a possibilidade de realizar podas nas árvores, sendo a altura ideal calculada com base no ganho que esta poda pode acrescentar no valor do produto final.
A estratégia de comercialização a ser adotada também deve ser alvo de análise por parte do produtor. Caso haja a possibilidade da venda da madeira em pé ou empilhada na beira do talhão, ao invés de entregue ao cliente, o produtor deve avaliar se a diferença de preço da madeira nas diferentes condições paga a atividade de colheita e transporte, respectivamente.
Caso o custo de colheita seja inferior à diferença do preço entre a madeira empilhada na beira do talhão e em pé, o produtor deve contratar a colheita e comercializar a madeira na beira do talhão, ou então comercializá-la em pé se o contrário for verdadeiro. O mesmo raciocínio deve ser utilizado para tomar a decisão de vender a madeira empilhada no talhão ou entregar diretamente ao cliente, levando em consideração o custo do frete e a diferença de preço entre estas duas formas de comercialização.
59. Como é o perfil do mercado comprador de toras de pínus?
Quanto ao mercado, muitos compradores de toras de Pínus não têm elasticidade operacional suficiente que lhe permita dar destinação diferenciada à matéria-prima. Isso faz com que paguem, pelo "blend", um preço determinado pela combinação dos preços das diferentes categorias. Assim, toras de Pínus vendidas no 1° desbaste têm um preço relativamente baixo, pois a matéria-prima predominante se destina à energia e celulose. No segundo desbaste, a ponderação das proporções de matéria-prima para serraria, energia e celulose determinará um preço médio melhor e, aos 21 anos, quando a maioria das toras possuem grandes diâmetros e são apropriadas para laminação e madeira serrada, o preço estimado sobe consideravelmente. Atualmente a matéria-prima de toras de maior diâmetro está em falta no mercado.
60. Sob o aspecto financeiro, o cultivo de pínus é um bom negócio?
Como qualquer outro tipo de investimento, na atividade agrícola ou florestal também é necessário o planejamento e o acompanhamento cuidadoso para que possa gerar a rentabilidade econômica esperada.
Para obter o melhor retorno desta atividade, é necessária a utilização de materiais genéticos de qualidade, principalmente mudas de qualidade e de boas práticas de manejo, como controle de pragas, adubação, desrama e desbaste, entre outras. Esses fatores são essenciais para que haja um adequado desenvolvimento das árvores e um incremento anual de madeira satisfatório e de acordo com as necessidades do destino final da produção de madeira.
É importante que sejam previamente verificadas as condições ou oportunidades de comercialização da madeira e a existência de cadeias produtivas locais ou regionais, que são os locais potenciais para o destino e venda da madeira produzida.
61. É possível utilizar pínus em sistemas agrossilvipastoris?
Desde que haja um planejamento eficiente e a tomadas de decisão de acordo com as recomendações técnicas, é possível integrar as atividades florestal, pecuária e agrícola com sucesso.
Nos sistemas silvipastoris, normalmente são usadas baixas densidades de plantio, em diferentes arranjos espaciais e o regime de manejo florestal visa à diversificação produtos como toras finas nos primeiros desbastes e toras de grandes dimensões e de alto valor no final. O objetivo não é só reduzir a população para um número limitado de árvores de alta qualidade, mas, também, aumentar o espaço livre entre elas, bem como a luminosidade no sub-bosque, oferecendo oportunidades para o estabelecimento de sistemas de produção mistos, integrando, por exemplo, as atividades agrícola, pastoril e florestal (sistemas silvipastoris).
Assim, uma das decisões mais importantes no estabelecimento de um sistema silvipastoril é a definição do espaçamento e o arranjo de árvores. Esta decisão determinará a condição do ambiente luminoso para o crescimento das forrageiras ou de plantas agrícolas desde o plantio até a colheita das árvores. Quanto maior o espaçamento entre as linhas das árvores, maior será a penetração de radiação solar no substrato agrícola ou forrageiro.
Para a implantação de um sistema de integração, é importante que se considere os mercados para os produtos advindos dos plantios, assim como a aptidão e o conhecimento do produtor para o cultivo de árvores.
62. Porque dizem que em alguns casos o pínus é uma planta invasora?
Algumas espécies de pínus colonizam facilmente áreas abertas. Esta característica predomina somente em situações onde haja grande produção de sementes, ausência de roçadas ou manejo destas áreas, predadores naturais de semente e, principalmente, quando há luminosidade suficiente para o estabelecimento das plântulas em contato com o solo. Na ausência destas condições, essa espécie não consegue se estabelecer por ser dominada pelas espécies folhosas.