Validação de soluções de inovação que promovam uma agricultura de baixa emissão de Carbono
A agricultura brasileira é uma das mais competitivas mundialmente. Para manter a capacidade produtiva diante de adversidades climáticas e incertezas de mercado, a diversificação ou integração de componentes produtivos dentro dos sistemas de produção é uma estratégia necessária. A intensificação do cultivo no espaço e no tempo por meio de rotação, sucessão e consorciação de culturas agrícolas e forrageiras pode contribuir para o aumento da eficiência de uso do solo. O solo é o maior reservatório de carbono (C) do ecossistema terrestre, seu estoque é duas vezes superior ao da atmosfera e ao contido na vegetação. Portanto o solo é um importante recurso natural para o sequestro de C da atmosfera, mitigando os efeitos do aquecimento global, ao mesmo tempo em que garante a segurança alimentar da população mundial.
A manutenção ou aumento do C orgânico no solo contribui para a melhoria da capacidade produtiva das culturas nos sistemas de produção pois é o elemento básico para os microrganismos que mantêm a reciclagem de nutrientes e a fertilidade no solo. Portanto este projeto pretende testar e identificar práticas e processos de produção que contribuem para o aumento da taxa de sequestro de C orgânico no solo e produtividade agrícola em sistemas de integração da produção no bioma Cerrado.
O Integra Carbono é uma proposta que prevê tanto a integração de componentes de produção quanto de pessoas, pesquisadores e técnicos, de diferentes áreas do conhecimento, agentes do setor produtivo e governo, para proposição e validação de soluções de inovação que promovam uma agricultura de baixa emissão de C. Foram testados práticas e processos dentro de três soluções para inovação:
- O sistema de integração lavoura-pecuária (iLP)
- O sistema de plantio direto na palha (SPD)
- O sistema de integração lavoura-pecuária-floresta (iLPF)
Entre as práticas e processos para o aumento da taxa de sequestro de C dentro destes sistemas estão:
- Rotação, sucessão e consorciação de culturas agrícolas com forrageiras e leguminosas, incluindo as principais culturas agrícolas como soja e algodão, e alimentares como arroz e feijão;
- A inoculação de culturas agrícolas com microrganismos promotores de crescimento e da fixação biológica de N;
- O manejo do N sintético pelo monitoramento das plantas;
- O cultivo de árvores, espécies comercias como eucaliptos ou nativas do Cerrado.
O efeito da integração de forrageiras e culturas agrícolas com espécies arbóreas em sistemas iLPF com diferentes idades de implementação foi monitorado em quatro Unidades de Referência Tecnológica (URT's) localizadas em Iporá, Quirinópolis, Morrinhos e Cachoeira Dourada, Goiás, sobre três tipos de solo: Cambissolo, Argissolo e Latossolo. Os sistemas de iLP e SPD estão implantados há mais de seis anos na Fazenda Capivara da Embrapa Arroz e Feijão e a continuidade do monitoramento é essencial para determinar como as práticas e processos dentro desses sistemas de produção podem promover a capacidade de um Latossolo típico do Cerrado em estocar C ao longo do tempo. Capturar o efeito do tempo é fundamental para a quantificação mais precisa do potencial destas práticas e processos agrícolas para a mitigação e adaptação num contexto de mudanças climáticas no Cerrado goiano. A produtividade das culturas agrícolas e forrageiras é um indicador da viabilidade econômica e da eficiência produtiva em situação de sequeiro.
Além do monitoramento das produtividades agrícolas e dos estoques de C em camadas de solo numa profundidade de até no mínimo 100 cm, é possível determinar o balanço de C por meio de um sistema de monitoramento de fluxos de gases de efeito estufa (CO2, CH4 e N2O) do solo pelo método de câmaras estáticas e do sistema pelo método micro meteorológico. O método micro meteorológico é uma tecnologia automatizada que proporciona o monitoramento de variáveis de clima, solo e trocas gasosas em agro ecossistemas.
Portanto o IntegraC pretende atender demandas do portfólio de mudanças climáticas e iLPF, tanto na proposição de metodologias que promovam uma agricultura de baixa emissão de C, mais resiliente e adaptada, quanto na determinação de estimativas mais precisas acerca do impacto de sistemas produtivos sobre mudanças climáticas.
O diferencial deste projeto está na diversidade de especialidades, infraestrutura de excelente nível tecnológico disponível para o avanço do conhecimento e a inserção da equipe técnica junto ao setor produtivo para a proposição de desenvolvimento pautado na realidade da produção agropecuária na região Centro Oeste do país, onde está concentrada cerca de 40% da produção brasileira de grãos.