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1. O que é a vespa-da-madeira (Sirex noctilio)?
É a vespa-da-madeira (Sirex noctilio), um inseto originário da Europa, Ásia e norte da África. No Brasil, está presente em praticamente todos os plantios de pinus, nos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Minas Gerais.

 

2. É a mesma praga que está atacando os plantios de pínus para resina em São Paulo?
Informações iniciais indicam que é um inseto da mesma família (Siricidae), porém de outra espécie. Além disso, o ataque está ocorrendo em espécies de pinus tropicais. Já foram coletados exemplares nos plantios atacados para a correta identificação, o que permitirá a definição de medidas de controle.

 

3. Com identificar a vespa-da-madeira?
Os insetos adultos variam de 1,0 a 3,5 cm de comprimento, apresentam coloração azul escura metálica; os machos apresentam partes alaranjadas em seu corpo e, as fêmeas, um ovipositor em forma de ferrão de até 2 cm de comprimento, partindo do abdômen.
As larvas do inseto apresentam coloração geral branca, formato cilíndrico, fortes mandíbulas denteadas e um espinho supra-anal. As pupas são de cor branca e apresentam tegumento fino e transparente.

 

4. Como a vespa-da-madeira danifica a árvore de pínus?

  • Durante a postura, além dos ovos, a fêmea introduz na árvore os esporos de um fungo simbionte, Amylostereum areolatum, e uma mucosecreção. O fungo e o muco, juntos, são tóxicos à planta, causando clorose nas acículas e provocando a morte da planta.
  • As larvas eclodem cerca de 15 dias após a postura e logo iniciam a construção de galerias no interior da madeira, à procura do fungo, que é a sua fonte de alimento. A larva ingere os fragmentos de madeira, retirando os nutrientes necessários e regurgita estes fragmentos juntamente com secreção salivar, em forma de serragem compactada, a qual obstrui as galerias. Estas galerias tornam a madeira inviável para uso.
  • Na fase de transformação em pupa, as larvas dirigem-se para próximo à casca.
  • Na maioria dos casos, o ciclo biológico dura um ano. Entretanto, em árvores muito estressadas ou quando o ataque ocorre em uma bifurcação, pode ocorrer um ciclo curto, de 3 a 4 meses.

 

5.  Quais os sintomas de ataque da Vespa-da-madeira?

As árvores atacadas pela vespa-da-madeira apresentam os seguintes sintomas:
  • respingos de resina no tronco, que surgem das perfurações feitas pelas fêmeas para depositar seus ovos; em alguns casos, observa-se o escorrimento de resina;
  • amarelecimento das acículas, que podem  variar desde um tom amarelado, em um estágio inicial, passando pelo marron-avermelhado e seca, até a queda das acículas;
  • orifícios de emergência, facilmente visíveis na casca, por onde os adultos saem;
  • manchas azuladas, em forma radial na madeira atacada, causadas por um fungo secundário do gênero Lasyodiplodia;
  • galerias no interior da madeira, construídas pelas larvas.

 

6. Como prevenir o ataque da vespa-da-madeira?      

A prevenção de seus danos pode ser feita mediante vigilância e tratos silviculturais, com o manejo integrado da praga (MIP). Assim, é importante a observação das seguintes recomendações:

  • quando possível, realizar o desbaste dos plantiosde pínus nas épocas adequadas para evitar a ocorrência de plantas estressadas. Conforme as árvores crescem, aumenta a competição por luz e nutrientes, o que causa o estresse das árvores. Com isso, a árvore se torna quimicamente atrativa para a praga;
  • intensificar o manejo em locais de baixa qualidade, onde haja solos rasos e pedregosos;
  • remover do povoamento as árvores mortas, dominadas, bifurcadas, doentes e danificadas, bem como restos de poda e desbaste com diâmetro superior a 5 cm;
  • não efetuar poda e desbaste dois meses antes e durante o período de revoada dos insetos adultos (segunda quinzena de outubro à primeira quinzena de janeiro);
  • evitar o plantio em áreas declivosas, onde seja difícil realizar os tratos silviculturais;
  • aplicar medidas de prevenção e controle de incêndios florestais;
  • treinar empregados rurais, de serrarias e de transporte de madeira na identificação da praga e de seus sintomas de ataque;
  • manter e intensificar a vigilância de rotina.

 

7. Como é feito o monitoramento da vespa-da-madeira?      
O monitoramento pode ser realizado pela instalação de árvores-armadilha, em áreas onde a praga ainda não foi detectada ou foi recém registrada. Como o inseto é atraído para árvores estressadas, utiliza-se a aplicação de um herbicida para promover esse estressamento, tornando-as atrativas ao inseto. Isso facilita a detecção precoce da praga, auxiliando na tomada de medidas rápidas como a liberação de inimigos naturais. Após a constatação da praga na área, os métodos mais eficientes para seu monitoramento é pela utilização das amostragens sequencial e sistemática.

 

8. Qual a maneira mais eficaz de se controlar a vespa-da-madeira?
O principal inimigo natural da vespa-da-madeira é o nematoide Deladenus siricidicola, que tem o nome comercial de Nematec. Ele é criado massalmente no Laboratório de Entomologia Florestal da Embrapa Florestas. As doses de nematoide, de 20 mL, contem cerca de 1 milhão de nematoides, sendo suficiente para o tratamento de 10 árvores, em média. O Nematec está disponível para os produtores  de pínus com a presença da praga em seus plantios.

O nematoide deverá ser inoculado no tronco de árvores atacadas, para que infectem as larvas da vespa-da-madeira que estiverem nesse tronco. Para esta inoculação é utilizado um martelo que tem na extremidade um vasador, que faz uma perfuração no tronco. A dose do Nematec é misturada a um gel e introduzida nos vários orifícios realizados no tronco. O nematoide penetra na árvore, vai se alimentar do mesmo fungo que é o alimento da larva da vespa e vai se multiplicar na madeira. Quando encontra uma larva, penetra nela e quando passa para a fase de pupa, os nematoides se instalam no aparelho reprodutor do inseto, esterilizando as suas fêmeas. Assim, uma fêmea parasitada, ao emergir, faz posturas em outras árvores, mas seus ovos tornam-se inférteis. Além disso, estes ovos parasitados carregam até 200 nematoides cada um. Ou seja, ao realizar novas posturas, esta vespa vai ajudar a espalhar ainda mais seu inimigo natural.

 

9. Existe outro inimigo natural da vespa-da-madeira que possa ser utilizado para o seu controle?
O parasitoide Ibalia leucospoides também é uma espécie de vespa. Suas fêmeas adultas tem tamanho variando de 7 a 14 mm. A Ibalia é um endoparasitoide que coloca os ovos em larvas da vespa-da-madeira. Estes ovos se desenvolvem dentro da larva e, ao sair, destroem-na.

Este parasitoide foi introduzido acidentalmente junto com seu hospedeiro  e já foi registrado em todas as áreas de ocorrência da praga, apresentando uma eficiência média de 25%. As espécies Megarhyssa nortoni e Rhyssa persuasoria são ectoparasitoides e, pelo fato de apresentarem um longo ovipositor, atacam larvas da vespa-da-madeira em estágios mais avançados de desenvolvimento. O adulto de M. nortoni mede de 15 mm a 45 mm e os adultos de R. persuasoria, entre 10 mm e 40 mm. Este dois parasitoides foram introduzidos no Brasil, da Tasmânia, entre 1996 e 1997 e em 2003, em um projeto cooperativo entre Embrapa Florestas, Serviço Florestal do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos e do Instituto Internacional de Controle Biológico da Inglaterra. Entretanto, ocorreram problemas tanto na fase de introdução no Brasil, como nas liberações no campo e, assim, apenas a espécie M. nortoni teve seu estabelecimento confirmado nos plantios de pinus atacados pela vespa-da-madeira, em 2015.

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A vespa-da-madeira é a principal praga dos plantios de pínus no Brasil. O uso de agentes de controle biológico, associado ao manejo florestal adequado, tem permitido a redução dos danos provocados por esta praga. Ut ...   More...

From: Embrapa     Posted in: 29/06/2021     Views: 846


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From: Embrapa     Posted in: 07/04/2021     Views: 583


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From: Embrapa     Posted in: 07/04/2021     Views: 897