Apresentação

O nível categórico de um sistema de classificação de solos é um conjunto de classes definidas segundo atributos diagnósticos em um mesmo nível de generalização ou abstração e inclui todos os solos que satisfizerem a essa definição.

As características usadas para a definição de um nível categórico devem ser propriedades dos solos que possam ser identificadas no campo ou que possam ser inferidas de outras propriedades que são reconhecidas no campo ou a partir de conhecimentos da Ciência do Solo e de outras disciplinas correlatas.

As características diferenciais para os níveis categóricos mais elevados da classificação de solos devem ser propriedades que resultam diretamente dos processos de gênese do solo ou que afetam diretamente sua gênese, porque estas propriedades apresentam um maior número de características acessórias.


Os níveis categóricos adotados no Sistema Brasileiro de Classificação de Solos (SiBCS) são seis: 1º nível categórico (ordens), 2º nível categórico (subordens), 3º nível categórico (grandes grupos), 4º nível categórico (subgrupos), 5º nível categórico (famílias) e o 6º nível categórico (séries), este último ainda carecendo de definição de conceitos.

No caso das ordens, em algumas classes do SiBCS, estão agrupados solos que, na classificação anterior, constituíam classes individualizadas nos levantamentos de solos no País. É o caso da ordem dos Neossolos, a qual agrupa os solos antes chamados de Regossolos, Solos Litólicos, Litossolos, Solos Aluviais e Areias Quartzosas.

As diversas classes no 1º nível categórico são separadas pela presença ou ausência de determinados atributos, horizontes diagnósticos ou propriedades que são passíveis de serem identificadas no campo mostrando diferenças no tipo e grau de desenvolvimento dos processos que atuaram na formação do solo. Assim, a separação das classes no 1º nível categórico teve como base os sinais deixados no solo pela atuação de um conjunto de processos que foram considerados os dominantes no seu desenvolvimento. Ressalte-se que a ausência dessas características no solo também foi empregada como critério para separação de classes neste 1º nível categórico.

Os atributos diagnósticos que refletem a natureza do meio ambiente e os efeitos (sinais) dos processos de formação do solo dominantes na sua gênese são os que devem ter maior peso para o 1º nível categórico, pois têm o maior número de características acessórias.

No caso específico dos Organossolos, os atributos diagnósticos tiveram por objetivo diferenciá-los dos solos constituídos por material mineral. Assim, as propriedades a serem utilizadas devem contribuir para:

a. Diferenciá-los dos solos minerais;

b. Indicar seu potencial de modificação quando drenados e/ou cultivados;

c. Prever ou identificar a qualidade do substrato mineral e/ou resíduo mineral;

d. Selecionar características diferenciais que mudem pouco ou mudem muito lentamente com o uso e manejo, além de permitir a predição do seu comportamento e do potencial agrícola (diferenciais com grande número de características acessórias).

Estas classes são separadas por atributos diagnósticos diferenciais que:

a. Refletem a atuação de outros processos de formação de solo que agiram conjuntamente ou afetaram os processos dominantes cujos atributos diagnósticos já foram utilizados para separar os solos no 1º nível categórico; ou

b. Envolvem aqueles resultantes da gênese do solo, extremamente importantes para o desenvolvimento das plantas e/ou para usos não agrícolas e que têm grande número de propriedades acessórias.

Essas classes são separadas por uma ou mais das seguintes características:

a. Tipo e arranjo dos horizontes;

b. Atividade da fração argila, condição de saturação do complexo sortivo por bases, por alumínio ou por sódio e/ou presença de sais solúveis;

c. Presença de horizontes ou propriedades que restringem o desenvolvimento das raízes e afetam o livre movimento da água no solo.

Essas classes são separadas conforme os seguintes conceitos (adaptados de Estados Unidos, 1999):

a. Típicos – Não são necessariamente os de ocorrência mais extensiva, nem representam o conceito central do grande grupo ao qual pertencem. Em algumas classes, os subgrupos típicos simplesmente representam os solos que não têm as características definidas para os subgrupos anteriores na chave taxonômica.

b. Intermediários ou transicionais para outras ordens, subordens ou mesmo grandes grupos – As propriedades podem ser resultantes de processos que levam um dado solo a se desenvolver a partir ou na direção de outra classe de solo, ou ainda, que têm propriedades intermediárias para outras classes. Entre as propriedades usadas para definir os intermediários, estão: ocorrência de outros horizontes diagnósticos além daqueles que definem a classe no nível taxonômico anterior, sobrepostos ou abaixo do horizonte diagnóstico principal (p. ex., vertissólicos, gleissólicos, etc.); ou ainda, características diagnósticas associadas a outra classe em expressão inferior à necessária para definir o horizonte diagnóstico (p. ex., plintossólicos, tiônicos).

c. Extraordinários – Esses subgrupos têm algumas propriedades que não são representativas do grande grupo, mas não indicam transição para outra classe (p. ex., abrúpticos, antrópicos, lépticos).

O ordenamento das classes de 4º nível categórico baseou-se no grau de importância do qualificativo de subgrupo, conforme a relação mostrada na Tabela 1.

Tabela 1. Ordenamento das classes do 4º nível categórico

É permitido ao classificador fazer possíveis combinações para o quarto nível, desde que não ultrapasse três qualificativos de subgrupos, os quais devem ser ordenados conforme indicado na Tabela 1. Por exemplo, Argissolo Vermelho Eutrófico solódico abrúptico plintossólico.

A subdivisão das classes de 5º nível categórico do SiBCS foi realizada com base em características e propriedades morfológicas, físicas, químicas e mineralógicas importantes para uso e manejo dos solos.


Os critérios recomendados devem ser testados nas distintas classes de solos, verificando metodologias apropriadas e respostas em termos de importâncias agronômica, geotécnica e para fins diversos. Esse é um campo que deve ser estimulado nas ações de pesquisas nas instituições diversas.


Neste nível, agregam-se as informações de caráter pragmático compreendendo características diferenciais para distinção de grupamentos mais homogêneos de solos.
Muitos qualificativos de 5º nível categórico são utilizados em praticamente todos os níveis de detalhamento realizados no País (Rios, 2006), como, por exemplo, tipos de horizonte A e grupamentos texturais.

O 6º nível categórico está em discussão e deverá ser o mais homogêneo do sistema. É o nível que permite melhor interpretação dos levantamentos de solos para diversos fins.


A definição de classes neste nível deverá ter por base características diretamente relacionadas com o crescimento de plantas, principalmente no que concerne ao desenvolvimento do sistema radicular, às relações solo-água-planta e às propriedades importantes nas interpretações para fins de engenharia, geotecnia e planejamento ambiental.

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No primeiro nível categórico (ordem), os nomes das 13 classes são formados pela associação de um elemento formativo com a terminação “-ssolos”. São apresentados, na Tabela 2, os nomes das classes, em ordem alfabética, seus respectivos elementos formativos e os seus significados.

 

Tabela 2. Elementos formativos e significados dos nomes das classes.

Classes de 1º, 2º, 3º e 4º níveis categóricos

Em fichas de descrição morfológica de perfis de solos e nas legendas de mapas, as classes de 1º e 2º níveis categóricos devem ser escritas com todas as letras maiúsculas; as classes de 3º nível categórico (grandes grupos) apenas com a primeira letra maiúscula; e, no 4º nível categórico (subgrupos), os nomes devem ser escritos com todas as letras minúsculas, conforme Tabela 3.

 

Tabela 3. Nomenclatura de solos em fichas de descrição morfológica e em legendas de mapas.

As classes do 3º e do 4º níveis categóricos são redigidas preferencialmente com o sufixo “-ico” no fim do nome, como no exemplo da Tabela 3.

 

Classes do 5º nível categórico (famílias)

Para haver uma certa coerência na nomenclatura das classes do 5º nível categórico, sugere-se a seguinte sequência de características diferenciais cujas designações (separadas por vírgula) devem integrar a denominação da classe de solo: grupamento textural; subgrupamento textural; distribuição de cascalhos, nódulos e concreções no perfil; constituição esquelética do solo; tipo de horizonte A (que não tenha sido utilizado em outros níveis categóricos); saturação por bases; saturação por alumínio (álico); mineralogia; subgrupamento de atividade da fração argila, teor de óxidos de ferro e propriedades ândicas.

Para a classe dos Organossolos, devem ser adotados critérios especiais que privilegiem a natureza da matéria orgânica do solo.

O nome do solo, no 5º nível categórico (família), é formado adicionando-se ao nome de subgrupo os qualificativos pertinentes, com letras minúsculas, separados por vírgula, tal como no exemplo: “Latossolo Amarelo Ácrico petroplíntico, textura argilosa cascalhenta, endoconcrecionário, A moderado, gibbsítico–oxídico, mesoférrico”.

 

Classes do 6º nível categórico (séries)

Como o 6º nível categórico é ainda objeto de discussão, não existe uma nomenclatura sugerida. Entretanto, no Capítulo 18, são listadas algumas características e propriedades que podem vir a ser empregadas na classificação dos solos neste nível.


Redação das classes de solos do SiBCS nas publicações nacionais e internacionais

Em textos corridos de livros, artigos em revistas, teses, dissertações, tabelas e semelhantes, as classes de 1º, 2º e 3º níveis categóricos devem ser escritas em minúsculas com as primeiras letras maiúsculas e, no 4º nível categórico, com todas as letras minúsculas (“Neossolos Flúvicos Ta Eutróficos vertissólicos”, por exemplo).

A tradução para outros idiomas dos nomes das classes não é recomendada, pois se tratam de nomes próprios. Se necessário, deve ser feita a equivalência de classes do SiBCS para o outro sistema taxonômico, acrescentando, entre parênteses e após o nome da classe de solo do SiBCS, a equivalência para o outro sistema. O nome da classe do SiBCS terá sua grafia em itálico. Exemplos: Latossolos (Oxisols), Latossolos (Ferralsols).