Doenças - Embrapa Hortaliças
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Como plantar grão-de-bico
Fonte: Nascimento, W. M. (Editor Técnico). Hortaliças Leguminosas. Embrapa Hortaliças, 2016.
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As sementes constituem a mais importante via de disseminação da doença, sendo que o patógeno pode permanecer nestas estruturas por até dois anos. No campo, sua disseminação geralmente ocorre por meio da água da chuva e pelo vento. Seu desenvolvimento é favorecido por alta umidade relativa (acima de 80%) e temperaturas entre 20 ºC e 27 ºC. Por esse motivo, tem pouca importância em lavouras localizadas na região do planalto central, ao contrário da região sul onde pode tornar-se fator limitante da produção.
O principal sintoma são lesões nas folhas e vagens. As manchas nas folhas geralmente são pequenas, arredondadas ou irregulares apresentando uma coloração acinzentada no centro e margens mais claras, podendo-se observar os picnídios do patógeno. Quando o patógeno afeta as vagens mais novas, aparecem cancros escuros que podem atingir os grãos, e quando atacam vagens mais velhas, observa-se o aparecimento de picnídios. Por ser um fungo transmitido por sementes, o principal meio de controle é a utilização de sementes sadias, a preferência por épocas mais secas para realização do plantio, o controle da irrigação, a rotação de cultura e a destruição dos restos culturais.
o patógeno, na ausência do hospedeiro, pode sobreviver na matéria orgânica do solo por até quatro anos e também infectar outras leguminosas como lentilha e ervilha. Sua infecção é sistêmica podendo afetar todas as partes da planta, inclusive as sementes, provocando uma redução de 10% a 15% na produção. Causam podridão de raízes e murcha, no início da infecção afetam as folhas basais tornando-as amareladas e, progressivamente, toda a planta começa a apresentar sintomas (Figura 14). Os principais métodos de controle são o tratamento das sementes, a rotação de cultura, o controle da irrigação, e uma adubação equilibrada. Ensaios realizados na Embrapa Hortaliças indicam os produtos tolylfluanida e captan para o tratamento de sementes visando o controle deste patógeno. Outra estratégia tem sido a utilização de cultivares mais tolerantes a Fusarium. A utilização de cultivares tolerantes a este patógeno tem sido uma melhor alternativa para o controle desta doença.

Figura 14. Sintoma de podridão de colo, causada por Fusarium oxysporum f. sp. ciceris.
Foto: Warley Marcos Nascimento
É um patógeno de solo favorecido por alta temperatura e umidade. Causa podridão de colo, tombamento e murcha de plântulas, e quando ataca plantas mais velhas provoca o amarelecimento das folhas, que murcham e caem (Figura 15A). O fungo desenvolve-se ao longo da haste da planta, formando uma cobertura branca de micélio, (Figura 15B) podendo produzir esclerócio de cor creme, que se torna marrom escuro, com formato aproximadamente cilíndrico.

Figura 15. Sintomas causados por Sclerotium rolfsii: amarelecimento das folhas (A); cobertura branca de micélio na haste (B).
Fotos: Warley Marcos Nascimento
Seu controle é realizado por intermédio de práticas preventivas, incluindo rotação de culturas, controle da irrigação, aração profunda, eliminação de plantas daninhas, que são fontes de inóculo. Pode-se ainda utilizar o controle químico ou biológico.
o fungo não produz esporos, e geralmente, é encontrado na forma micelial; utilizam como forma de sobrevivência no solo, a formação de estruturas globulosas denominadas escleródios ou esclerócios que podem sobreviver por até um ano. O patógeno provoca uma podridão escura do colo próximo ao solo, podendo estender-se por toda raiz provocando a morte da planta. Para o seu controle, devem ser adotadas a remoção e queima das plantas doentes, eliminação dos restos culturais e rotação de cultura com gramíneas. A aplicação de calcário, a 1 t/ha reduz o problema.
O vírus é transmitido por tripes, e a doença provoca arroxeamento ou bronzeamento das folhas, ponteiro da planta virado para baixo, redução geral do porte da planta e lesões necróticas nas hastes. Não existem evidências de transmissão por sementes. Seu controle é difícil, e por isso é indicado a utilização de práticas integradas, como: rotação de culturas com espécies não suscetíveis ao vírus, a escolha de áreas de plantio em maiores altitudes, a aplicação de inseticidas sistêmicos, o uso de barreiras para evitar a migração dos insetos vetores, entre outros.
As plantas afetadas apresentam galhas pequenas e arredondadas no sistema radicular, que levam ao nanismo das plantas, às manchas cloróticas ou necroses entre as nervuras, o abortamento de vagens e o amadurecimento prematuro, além do murchamento da planta. As medidas tradicionalmente recomendadas para o controle de fitonematoides são a rotação de culturas e a aplicação de nematicidas.