Pneumonia micoplásmica - A doença - Embrapa Suínos e Aves
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Central de Inteligência
em Saúde Suína – CISSA plataforma integrada de vigilância e análise de risco tem como objetivo fortalecer o monitoramento de doenças suínas endêmicas e emergentes no Brasil, apoiando ações de prevenção, controle e manejo sanitário.
Liderada pela Embrapa Suínos e Aves, a iniciativa organiza e qualifica dados de Laboratórios de Diagnóstico Veterinário, ampliando a disponibilidade de informações e a geração de indicadores epidemiológicos para o setor.
A pneumonia micoplásmica em suínos
O Mycoplasma hyopneumoniae (M. hyopneumoniae) é um dos agentes mais relevantes da suinocultura intensiva, causando uma enfermidade respiratória que compromete o bem-estar animal e a produtividade. A doença, conhecida como pneumonia micoplásmica ou pneumonia enzoótica, apresenta baixa mortalidade, porém alta morbidade.
O agente está presente na maioria das granjas brasileiras, e a incidência da doença é fortemente influenciada por fatores de risco relacionados ao ambiente e ao manejo.
Transmissão
O contato direto com animais contaminados é a principal forma de transmissão do M. hyopneumoniae. A transmissão indireta por fômites, embora menos comum, também pode ocorrer. Em áreas com grande concentração de granjas, a transmissão aérea também é possível.
Patogênese e sinais clínicos
Após a infecção, o M. hyopneumoniae se liga aos cílios do epitélio das vias aéreas superiores, comprometendo a eficácia do sistema mucociliar na remoção de partículas do trato respiratório. Isso causa tosse e predispõe os animais a infecções por outros agentes, bacterianos ou virais.
Além da tosse, pode-se observar redução no consumo alimentar e no ganho de peso. Em casos de infecções secundárias associadas, os quadros são mais graves. Nesses casos, os animais podem apresentar dispneia, febre e até morte.
Diagnóstico
O quadro clínico e as lesões observadas na necropsia podem direcionar o diagnóstico, porém não são definitivos, pois outras doenças apresentam quadros clínico-patológicos semelhantes. Portanto, o diagnóstico laboratorial é essencial para a adoção de medidas eficazes de controle.
As análises laboratoriais também são úteis para monitorar granjas negativas e avaliar a dinâmica da infecção nos rebanhos, contribuindo para o posicionamento estratégico das medidas de controle.
O M. hyopneumoniae é um agente fastidioso, com crescimento lento in vitro, o que torna inviável a utilização do isolamento bacteriano na rotina diagnóstica. Por outro lado, a técnica de PCR é um método rápido, com alta sensibilidade e especificidade, para a identificação do agente em amostras clínicas.
Controle e manejo
O controle da pneumonia micoplásmica nas granjas é complexo e exige um conjunto de ações para ser bem-sucedido. As vacinas são eficientes para reduzir a gravidade da doença, porém não evitam a infecção nem a disseminação do agente.
Para o controle eficaz, é necessário associar medidas que diminuam a pressão de infecção nas granjas. Ações como a correta aclimatação das leitoas de reposição nas granjas produtoras de leitões, o manejo adequado do colostro nas maternidades e a oferta de ambientes adequados aos leitões nas creches e terminações, especialmente em relação à qualidade do ar, são de grande importância.
Medicações preventivas estratégicas nas fases de maior desafio são empregadas na maioria dos sistemas de criação como um recurso auxiliar no controle da doença.
Erradicação
Numerosos estudos científicos sobre os benefícios da erradicação do M. hyopneumoniae das granjas foram publicados nos últimos anos. Um desses estudos mostrou que a erradicação resultou em ganho de aproximadamente US$ 7,00 por suíno abatido.
Estão descritos diversos métodos para a erradicação, com bons índices de sucesso. Os benefícios incluem o rápido retorno dos custos do programa de erradicação, impulsionado pela melhoria na produtividade, maior bem-estar animal e diminuição das infecções secundárias oportunistas.
O risco de reinfecção existe e está relacionado a aspectos como biosseguridade e proximidade em relação a outras granjas contaminadas. No entanto, as pesquisas têm mostrado um custo-benefício favorável.