Doença de Newcastle - Embrapa - Embrapa Suínos e Aves
É uma doença viral que afeta aves domésticas e silvestres e causa sinais respiratórios seguidos por manifestações nervosas e alta mortalidade, podendo chegar a 100% do lote dependendo da virulência do vírus.
A doença apresenta como sintomas sinais respiratórios, nervosos e digestivos; espirros e respiração ofegante; asas caídas, pernas distendidas, torção de cabeça e pescoço, depressão, falta de apetite e diarreia aquosa e esverdeada.
Como há sinais respiratórios, a principal forma de transmissão entre as aves é por aerossóis (gotículas das secreções respiratórias) que se espalham facilmente no ar e contaminam outras aves. As fezes das aves doentes também contêm vírus que infectam outras aves.
A melhor forma de prevenir a Doença de Newcastle é manter as aves protegidas nas granjas, sem contato com outras aves como patos, marrecos, pombos e aves silvestres. Além disso, também deve-se restringir a entrada de visitantes, principalmente se estes vêm de áreas onde existirem problemas sanitários; vacinar as aves conforme recomendação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e utilizar bons desinfetantes durante as limpezas. Manter um bom programa de biosseguridade ajuda a prevenir não só a Doença de Newcastle, mas todas as demais enfermidades avícolas.
A doença não tem tratamento. Uma vez que as aves se infectam, a melhor forma de evitar mais prejuízos é eliminar o lote o mais rápido possível para que outras propriedades não sejam contaminadas.
Sim, existem vacinas para prevenção da doença. São vacinas vivas, com o vírus atenuado, e vacinas mortas/inativadas, as "tradicionais". Atualmente, existem outros processos de produção como as vacinas vetorizadas/recombinantes. No Brasil, a legislação exige vacinação somente em aves de vida longa, como as reprodutoras e poedeiras. Tecnicamente, as vacinas nas reprodutoras também garantem um período de imunidade para a sua progênie, os frangos de corte. Mesmo não havendo obrigação por parte do Mapa, algumas empresas vacinam também os frangos de corte.
Existem diferentes programas de vacinação, mas normalmente as aves recebem vacinas vivas atenuadas desde a primeira semana de vida e reforços a cada 40 a 60 dias. A vacina inativada é utilizada antes do início da produção de ovos. Reforços durante a produção de ovos podem ser necessários. As vacinas vivas podem ser aplicadas via spray ou na água de bebida. A vacina inativada é intramuscular ou subcutânea.
Sim, pode afetar humanos, mas só é grave nas aves. Nas pessoas, a Doença de Newcastle pode causar uma conjuntivite leve, que dura pouco tempo. Assim mesmo, a infecção em humanos é pouco comum e pode ocorrer somente quando se tem contato direto e próximo com as secreções respiratórias das aves doentes.
As pessoas que não são da área do Serviço Veterinário Oficial (SVO) não devem se aproximar ou mexer nas aves doentes. Devido aos sintomas nervosos que ocorrem duramente a infecção das aves pelo vírus da doença de Newcastle, não é difícil perceber que a ave não está saudável. Por isso, a melhor forma de prevenção é chamar o SVO. Os municípios e estados têm seus serviços oficiais para cuidar disso.
Não. Carnes contaminadas pelo vírus da doença de Newcastle não chegam à mesa do consumidor. As aves doentes são todas eliminadas para que a doença não alcance outras aves.
O Ministério da Agricultura e Pecuária tem um Plano de Contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle. Isto é, existe um protocolo de como proceder nos casos em que ocorram essas doenças. Os procedimentos vão desde o abate sanitário das aves, a desinfecção do galpão e a contenção do foco em uma área de 10 km ao redor da propriedade com aves doentes. As propriedades com aves neste raio são todas testadas para a doença e se houver outros casos também terão as aves sacrificadas, devendo cumprir um período para limpeza e desinfecção antes de alojar aves novamente.
O último registro foi em julho de 2024 em um estabelecimento de avicultura comercial de corte localizado no município de Anta Gorda, no estado do Rio Grande do Sul.
Sim. A doença de Newcastle pode ser uma grande barreira comercial. Mas cada país decide se vai parar a importação da carne brasileira ou não. Depende da agilidade do Brasil em conter e resolver o foco. Também pode ocorrer o embargo da carne do estado que ocorreu o foco, mas não dos demais estados produtores, ou mesmo apenas do município onde ocorreu o foco. É preciso acompanhar cada caso.
PNSA (Programa Nacional de Sanidade Avícola)
Plano de contingência para Influenza Aviária e Doença de Newcastle, versão 1.4/2013
Links
• Registro de notificação de suspeitas de doenças em animais - Ministério da Agricultura
Registre uma notificação imediata ao Serviço Veterinário Oficial. A notificação será encaminhada pelo Sisbravet, Sistema Brasileiro de Vigilância e Emergências Veterinária
• Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa)
Conteúdo especial sobre Doença de Newcastle
Ficha técnica da Doença de Newcastle
Pontos focais do PNSA nos Serviços Veterinários Estaduais
• Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA)
Posicionamento setorial — Doença de Newcastle
Telefones
• 0800 644-6645
Contato com o Ministério da Saúde para informes de notificações ou dúvidas referentes à saúde humana. Ligação gratuita.
• 0800 643-9300
Contato com a Cidasc, em Santa Catarina, para suspeitas de doenças de notificação obrigatória. Ligação gratuita.
• Alexander, D.J., and D.A. Senne. 2008. Newcastle disease. In: Diseases of Poultry, 12th ed. Y.M. Saif, A.M. Fadly, J.R. Glisson, L.R. McDougald, L.K. Nolan, and D.E. Swayne, eds. Blackwell Publishing, Ames, Iowa. 75–100.
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