• Peste Suína Clássica – PSC

    A peste suína clássica (PSC) é uma doença viral altamente contagiosa que afeta apenas suínos, sejam silvestres, asselvajados, de subsistência ou criados para fins industriais. A PSC não oferece risco para a saúde humana. A doença pode causar febre, manchas na pele, falta de apetite e até a morte dos animais. A transmissão ocorre pelo contato entre suínos doentes, secreções e objetos contaminados.

    A PSC é grave porque traz grandes prejuízos à produção e pode gerar barreiras ao comércio de carne suína. Por isso, é considerada uma doença de notificação obrigatória e exige atenção constante das autoridades e produtores.

A infecção nos suínos

  • Os suínos doméstico e selvagem são os únicos reservatórios naturais do vírus da PSC
  • A infecção ocorre principalmente pelo contato direto com suínos domésticos ou selvagens, doentes ou sadios infectados
  • A infecção congênita causa o nascimento de leitões clinicamente normais, mas persistentemente virêmicos, sem respostas de anticorpos, tornando-se uma importante fonte de infecção
  • A principal porta de entrada de contaminação dos suínos é oronasal, geralmente pela ingestão de água ou alimento contaminado com o vírus
  • Também pode ocorrer por rota conjuntival, genital ou ferimentos na pele
  • A movimentação e introdução de suínos infectados numa criação é a principal forma de disseminação da doença
  • A transmissão aérea foi demostrada em experimentos, mas sua importância é incerta, podendo ser importante num raio de até 500 metros
  • Veículos que transportam suínos podem carrear fezes ou urina de animais contaminados a longas distâncias e transmitir o vírus em casos de falhas na biosseguridade

Fontes de infecção e disseminação do vírus

  • Todas as excreções e secreções de suíno doente, como fezes, urina, saliva e sêmen são fontes de infeção, assim como restos de parto e sangue
  • Suínos ou javaporcos ou javalis sadios, mas infectados, podem excretar o vírus por logo período e infectar outros quando em contato
  • Alimento contaminado como carnes frescas, congeladas cruas ou curadas produzidas de suínos infectados. Portanto, sobras de comida de humanos e/ou lavagem alimentar é um importante veículo do vírus e seu uso para suínos deve ser proibido
  • Vetores mecânicos podem carrear do vírus quando em contato com suínos doentes ou infectados ou suas excreções/dejeções e transmitir para outros suínos:
    • Botas, vestimentas, assim como a pele, cabelos, unhas de pessoas
    • Outros animais como ratos, camundongos, cães e gatos, e insetos como moscas, piolhos e mosquitos
    • Utensílios, equipamentos, seringas, agulhas, dentre outros
    • Veículos, especialmente transportadores de suínos e/ou alimento

Sobrevivência do vírus da PSC

  • Em instalações: mais de 15 dias
  • Nas fezes e urina: por 2 a 4 dias a 5ºC e de 1 a 3 horas a 30ºC
  • Nas fezes e urina expostas ao sol: até 24 horas
  • Em suínos mortos não refrigerados: por poucos dias
  • Em suinos mortos refrigerados: por mais de 1 mês
  • Em carcaças congeladas: por mais de 4 anos
  • Nos dejetos suínos: até 2 semanas a 20ºC ou mais de 6 meses a 4ºC
  • Em materiais contaminados com sangue: até 30 minutos a 68ºC
  • Sobrevive por longo período em condições ambientais de frio, umidade, em materiais ricos em proteína (carnes):
    • Em carnes curadas ou defumadas: até 6 meses
  • O vírus é estável em pH 4-10

Sensibilidade do vírus da PSC a desinfetantes

  • Carbonato de sódio anidro a 4%
  • Cresóis
  • Formalina a 1%
  • Iodofor a 1%
  • Peróxido a 1%
  • Soda cáustica a 2%

Cuidados para evitar a PSC em áreas livres da doença

  • Manter ativo um programa de biossegurança nas granjas. Isso é cada vez mais relevante considerando a ampla distribuição de javalis e javaporco nas regiões produtoras de suínos do Brasil. Os cuidados mais relevantes são:
    • Granja totalmente cercada com tela de pelo menos 1,5 metro de altura
    • Troca de roupa e calçados de toda pessoa que entrar na granja
    • Não permitir que veículos de transporte de ração e suínos entram na granja
    • Não permitir visita as granjas de suínos por pessoa oriunda da região infectada
  • Não visite áreas onde a PSC está ocorrendo
  • Não trazer nenhum produto suíno (carnes, salame, linguiça, etc.) da região infectada para região livre
  • Não trazer nenhum equipamento ou qualquer material da região infectada para a região livre
  • Lavar com água quente e desinfetar amplamente caminhões com desinfetante e diluição adequada, por fora e por dentro, incluindo a cabine, que transportam suínos para a região infectada antes do retorno para a região livre
  • Não trazer insumos alimentares para suínos da região infectada para a região livre