Pragas - Embrapa Hortaliças
O controle de insetos e ácaros do tomateiro não se restringe apenas ao controle químico ou biológico. Um manejo eficiente é obtido com a adoção das seguintes recomendações:
- Adotar rotação de culturas.
- Destruir os restos culturais imediatamente após a colheita.
- Manter a lavoura livre de plantas daninhas e outras hospedeiras de insetos e ácaros.
- Utilizar cultivares mais adaptadas à região.
- Concentrar os plantios em cada microrregião no mais curto espaço de tempo.
- Utilizar os insumos recomendados de maneira racional, coordenada e articulada, de modo que os problemas comuns à cultura sejam enfrentados por todos ao mesmo tempo.
- Desinfestar sistematicamente os vasilhames e os meios de transporte, para reduzir as condições de disseminação das pragas entre regiões.
- Fazer inspeções periódicas das áreas de produção, dando especial atenção às bordas dos campos e aos locais onde há maior incidência de plantas daninhas, pulverizando essas áreas.
- Obedecer às recomendações de controle dos insetos e ácaros quanto ao produto, dosagem, horário e freqüência de pulverizações.
Broca grande
A broca grande tem pouca importância econômica no sistema de produção de tomate devido às altas dosagens de agrotóxicos e a frequência de pulverizações para controlar a traça-do-tomateiro. Contudo, na ausência de controle químico, poderá causar até 80% de danos nos frutos.
A broca grande prefere ovipositar em folhas próximas de flores do que diretamente nas flores, nos frutos ou nas hastes do tomateiro.
Broca pequena
A broca pequena ocorre à partir do início do florescimento. As larvas crescem no interior do fruto, alimentando-se da polpa, abrindo galerias. Saem para empupar no solo, deixando um orifício. Os frutos danificados ficam inutilizados para a comercialização e consumo.
As pulverizações para controle deste inseto devem ser iniciadas à partir do florescimento. O jato de pulverizações deve ser dirijido aos botões florais e frutos.



traça-do-tomateiro em folhas. Figura 4. Planta severamente atacada.

Tripes (Thysanoptera) são insetos pequenos, de corpo estreito, apresentam dois pares de asas franjadas e aparelho bucal sugador formado por três estiletes (uma mandíbula e duas lacíneas). A maioria são fitófagos, mas podem ser também micófagos ou predadores. São muitas as espécies fitófagas e atacam grande variedade de plantas, principalmente as cultivadas. Sugam a seiva das flores, folhas e frutos. Geralmente vivem sobre folhas, brotos, flores e sob a casca de árvores. Ocorrem em condições de baixas temperaturas associadas à estiagem. Os tripes são de difícil constatação nas lavouras recém-plantadas, mas podem ser facilmente encontrados nas inflorescências do tomateiro.
O ataque direto aos frutos pode impedir o seu desenvolvimento, bem como a picada em si pode facilitar a entrada de agentes patogênicos, transmissores de doenças, especialmente viroses de plantas, como por exemplo, o vira-cabeça do tomateiro.
Taxonomia
São insetos da ordem Thysanoptera, cujas espécies de importância agrícola pertencem à família Thripidae. Os gêneros mais importantes no tomateiro são Thrips e Frankliniella.
Descrição
Thrips tabaci – Apresentam cor variável do amarelo ao marrom, medem cerca de 1 mm. As ninfas são amarelo-esverdeadas, mais claras que os adultos, com pernas e antenas incolores.
Thrips palmi - Apresentam cor amarela quando ninfas e adultos, medem mais de 1 mm. Adultos e ninfas vivem na superfície inferior das folhas.
Frankliniella schultzei - Apresentam coloração variável, de 1 a 3 mm de comprimento no máximo.
Frankliniella occidentalis
Biologia
Os tripes apresentam reprodução sexuada e partenogênese, sendo os ovos colocados nas folhas. Decorridos alguns dias, surgem as formas jovens ou ninfas, que se distinguem das adultas porque têm coloração mais clara e não possuem asas. A metamorfose é incompleta com dois estágios larvais, em seguida apresenta a fase de pré-pupa e pupa e finalmente o indivíduo adulto com asas. Alimentam-se da seiva das plantas, sendo raspadores-sugadores. Seu ciclo é cerca de 15 dias.
Foto: Geni L. Villas Bôas

Figura 1. Tripes Frankliniella schultzei.
Danos
Danos Diretos – São os danos decorrentes da alimentação das ninfas e dos adultos nos tecidos vegetais. Podem ser pequenos quando comparardos com os danos indiretos, mas não são desprezíveis, uma vez que a parte danificada, em geral, o fruto, é comercializada. Pontos prateados surgem na superfície das folhas e flores, onde os tripes se alimentaram. Podem surgir também estrias ou áreas maiores de prateamento. Com o ataque, ocorre alteração na consistência das folhas que ficam coriáceas e quebradiças, podem atacar também brotações.
Danos Indiretos - Tanto Thrips palmi quanto Frankliniella schultzei são espécies vetoras de de fitopatógenos. Alimentando-se da seiva das plantas doentes, os tripes contaminam-se pelo vírus do “vira-cabeça” do tomateiro. Locomovendo-se para as plantas sadias, inoculam nestas a doença. As plantas assim atacadas apresentam inicialmente, as folhas bronzeadas e, posteriormente, o caule com estrias negras, os frutos verdes com manchas amareladas e o broto principal curva-se, daí o nome de “vira-cabeça”. Causam maiores danos quando grandes populações migram de outras hospedeiras infestam lavouras de tomateiro com até 45 dias pós-plantio. Sua maior importância deve-se à transmissão da virose vira-cabeça do tomateiro (tospovírus).
Controle
Inseticidas - Para o controle recomenda-se a utilização, sempre que possível, do manejo integrado de pragas. O controle químico deve ser usado de maneira racional, pois o uso indiscriminado de produtos químicos favorece o aumento populacional das pragas.
Utilizar apenas produtos registrados para a cultura, nas dosagens recomendadas pelo fabricante e alternar o uso de princípios ativos, de maneira a retardar o aparecimento de insetos resistentes.
Variedade resistente - Já existe disponível uma variedade de tomate resistente ao vira-cabeça Viradoro.
Cultural - Barreiras vegetais em torno da área de plantio com Crotalaria, milho ou sorgo.
Praga de grande importância na região Nordeste, onde o clima seco e a ausência de chuvas favorece a sua proliferação. Nas regiões Centro-Oeste e Sudeste pode ser encontrado em níveis populacionais muito baixos duranto todo o ano, mas as populações aumentam rapidamente nos meses de julho, agosto e setembro.
O ácaro-do-bronzeamento é disseminado pelo vento. Atacam toda a planta iniciando pela base, onde causa o bronzeamento do caule. Nas folhas, provoca bronzeamento e deformação que evoluem par necorese. Ocorre durante todo o ciclo da cultura.
Com o início das primeiras chuvas, o controle químico torna-se desnecessário. Irrigação por aspersão frequente e abundante reduz a população de ácaro e facilita o controle químico.