Adubação - Embrapa Hortaliças

  • Sistema de produção de alho

    Autores:
    Francisco Vilela Resende, Lenita Lima Haber, Jadir Borges Pinheiro, Valdir Lourenço Junior, Mirtes Freitas Lima, Miguel Michereff Filho e Iriani Rodrigues Maldonade 

Adubação

Nutrição de plantas

A extração de nutrientes pelo alho apresenta uma relação bastante direta com o crescimento e desenvolvimento da planta. O crescimento da cultura se acentua a partir dos 60 dias e cessa aos 120 dias após o plantio, sendo que a bulbificação inicia-se por volta dos 70 dias, intensificando-se entre 90 até 130 dias após o plantio. Nas primeiras semanas após a emergência, a folha de brotação utiliza apenas as reservas presentes nos bulbilhos e por isso a
extração de nutrientes do solo, é reduzida até os 45 dias. O nitrogênio e o potássio são macronutrientes acumulados mais intensamente pelo alho, sendo os demais absorvidos em menor quantidade, acompanhando a curva de crescimento da planta.
 
Os micronutrientes são acumulados ativamente, porém de forma inconstante, desde os primeiros dias da cultura. O ferro é o micronutriente extraído em maior quantidade pelo alho, destacando-se também o zinco e o manganês pela elevada absorção no período entre 120 a 135 dias após o plantio.
 

Calagem

O alho se desenvolve bem numa faixa de pH entre 5,5 e 6,5, sendo indispensável proceder a calagem quando a acidez do solo for alta. O índice de saturação de bases ideal deve estar em torno de 70%. A calagem fornece cálcio (Ca) e magnésio (Mg) como nutrientes e elimina os efeitos tóxicos do alumínio (Al), manganês (Mn) e ferro (Fe). É aconselhável que se aplique a metade do calcário antes da aração profunda e a outra metade antes da primeira gradagem, para que haja uma boa incorporação e distribuição no perfil do solo.
 

 

Deve-se preferir o calcário dolomítico ou magnesiano, a fim de manter uma boa relação cálcio:magnésio, que é importante no balanço de absorção de magnésio. A relação ideal entre esses nutrientes, para a cultura é 4:1. A cultura do alho responde bem à aplicação de cálcio e magnésio independente da elevação do pH. Em solos do Cerrado esses nutrientes têm limitado a produção e conservação do alho.
 

Adubação

O alho apresenta boa resposta à adubação orgânica que pode ser feita tanto na forma de composto, de esterco de gado ou de aves completamente curtido. Para o esterco de gado ou composto, a quantidade recomendada é de 30 t ha-1. Quando o esterco for de galinha, recomendam-se 10 t ha-¹. A distribuição do adubo orgânico é feita a lanço sobre o terreno, antes da última gradagem para uma boa incorporação. A adubação química deve aplicada diretamente nos canteiros e incorporada. Em caso de aplicação localizada, adubo químico dever ser colocado cerca de 5 cm abaixo e ao lado dos nos sulcos de plantio, evitando contato direto com os bulbilhos.
 
A adubação foliar pode ser usada com êxito na cultura para correção de deficiências de micronutriente como boro (B) e zinco (Zn) e também para adubação com uréia e sulfato de Magnésio. Devido à intensa cerosidade das folhas, o uso de espalhante adesivo é fundamental para se ter sucesso com esta prática.
 
Tabela 4. Adubação mineral NPK e de outros nutrientes sugerida para cultura do alho de acordo com o nível destes nutrientes no solo.
Disponível no solo - K: muito baixo (<20), baixo (21-50), médio (51-90), alto (91-140), muito alto (>140) - P: muito baixo (<16), baixo (16-32), médio (32-48), alto (48-72), muito alto (>72).

Deve-se tomar cuidado com o nitrogênio (N), pois este nutriente em excesso pode provocar o pseudoperfilhamento, principalmente em cultivares mais sensíveis a este distúrbio. Para estas cultivares, a adubação nitrogenada em cobertura deve ser dividida em duas etapas. A primeira é feita antes da diferenciação dos bulbilhos ou do inicio do estresse hídrico, ou seja até 20 - 30 dias após o plantio. A segunda etapa é realizada com o retorno da irrigação, logo após o fim do período de estresse hídrico, por volta de 60 dias após o plantio. 
 

 

Para as cultivares insensíveis ao superbrotamento, a dosagem recomendada no nitrogênio deve ser parcelada, sendo 1/3 no plantio e o restante dividido, metade aos 30 dias e a outra metade 60 dias após a emergência.